segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Atitude preventiva no inverno.

Revista ABC junho 2005

O estresse é um esforço a que o animal fica submetido tendo que dar uma resposta adequada se quiser continuar vivo.

Estar sob estresse é próprio da condiçăo de existir. Superar as situaçőes adversas será fácil quando elas năo forem muito severas.

Há uma faixa em que os animais respondem ao estresse confortavelmente, até com relativa facilidade, levando-o a uma fácil adaptaçăo ao ambiente. Essa faixa chama-se zona de conforto.

As bruscas variaçőes de temperatura, as baixas temperaturas por vários dias associadas a níveis elevados ou baixos de umidade do ar săo fatores estressantes perigosos porque solicitam respostas mais forçadas do organismo.

Esses fatores deixam os animais sensíveis as infecçőes. Para superar o estresse o criador deve intervir fornecendo as condiçőes mínimas de alimentaçăo, temperatura, umidade, etc., para manter o plantei dentro da zona de conforto.

O estresse causado pelo frio pode ser tanto mais perigoso quanto mais se associar e potencializar, os efeitos de outros fatores. Muitos animais encontram-se como que numa corda bamba: estăo subnutridos, em gaiolas superlotadas, em baixo nível de higiene e assim por diante. Nestes casos basta uma leve brisa, a corda balança e todo mundo cai.

Para vencer o estresse provocado pelo frio, além de cuidar especificamente deste fator, o criador tem que identificar e resolver outros:

1 –A alimentaçăo

Como está a alimentaçăo, tem o criador procurado aprender mais sobre essa área ou já se julga sabido. Está fornecendo apenas uma mistura de sementes ou já entendeu que a raçăo balanceada ou farinha de livre e fórmulas mágicas é o que vai fornecer os nutrientes necessários para procriaçăo e para longevidade saudável?
E preciso ter em mente que a deficięncia nutricional é a causa primeira e mais importante na formaçăo das doenças.

Quanto mais subnutrida menos suporta o estresse causado pelo frio.

2-A temperatura

Entre 20° e 25° C o organismo funciona confortavelmente para a maioria das aves tropicais. Quanto mais se foge desse valor mais esforço de adaptaçăo deve ser feito. Resfriamentos bruscos săo perigosos pois afetam mais rapidamente o sistema imunológico. Por isso é preciso ter condiçőes de abrigar ou proteger dos ventos frios nas viradas de tempo.

3- A umidade

A faixa confortável de teor de umidade relativa do ar é de 60 a 80%. A umidade excessiva predispőe a proliferaçăo de fungos em semente, raçőes, comida velha, ao redor e sobre dejetos que năo secam facilmente etc.

Os fungos elaborado substâncias tóxicas, as micotoxinas. Os fungos e as micotoxinas interferem no aproveitamento alimentar e diminuem as defesas naturais facilitando o aparecimento de várias doenças. Se a isso foi somado a açăo de outros agentes microbianos que também proliferam com a umidade entenderemos a dificuldade de se administrar um remédio na hora de doença. A utilizaçăo de condicionadores de ar, desumidificadores e Sterilair ajuda a controlara situaçăo.

4 - A aeraçăo - ou boa qualidade do ar

Quando esfria, a primeira providęncia que ocorre para maioria das pessoas é fechar todos os locais por onde possa entrar vento frio. Assim procedendo num criadouro de muitas aves, o proprietário vai ter um ambiente carregado de C02, pobre em O, rico em gases fétidose venenosos além de partículas ionizadas positivamente. O recurso é garantir a ventilaçăo em todos os pontos. Experimente acender velas em vários pontos. Se a chama de vela năo balançar é porque o local é mal ventilado. Em ambientes fechados já é constatado o efeito benéfico do Sterilair na quantidade de um a cada 20 m.

5 - O Uso indiscriminado de antibióticos

Quando uma ave fica doente o criador sente que deve fazer alguma coisa. Năo importa o que seja, mas sente que deve.

Como em geral ele ignora qual seja a doença e na ausęncia de um médico qualificado é comum ele ir na conversa dos outros até decidir por si, só a fazer qualquer coisa. Isso é até louvável. O problema é quando decide a usar um remédio, principalmente um antibiótico. Em nossa cultura o antibiótico é pau pra toda obra. Se pelo menos ele tivesse o cuidado de ler a bula saberia que o antibiótico é um recurso valioso quando administrado nas dosagens e tempos correios com o objetivo de neutralizar a açăo de alguns determinados microorganismos que poderăo ou năo ser sensíveis ao principio ativo. Para isso é necessário uma pesquisa de um profissional que conta com recursos laboratoriais. Fora disso usar o antibiótico como elementocurador de uma doença é a mesma coisa que desejar acertar a mosca de um alvo no escuro. Além da enorme probabilidade de năo acertar o remédio pode representar uma elevada agressăo para a ave pęlos efeitos colaterais, permitindo também o aparecimento de resistęncia ao antibiótico, inviabilizando futuros tratamentos.

Quantos criadores administram medicamentos na ausęncia de qualquer doença. Quantas aves doentes recuperam-se por sua própria capacidade orgânica e apesar do antibiótico que lhe foi administrado dessa maneira o criador fica iludido que foi ele que curou o animal e perpetua o procedimento incorreto.

O procedimento mais sensato é administrar qualquer medicamento somente nos casos graves, quando se conhece a etiologia da doença e nas dosagens e tempos correios prescritos por um profissional.

Conclusăo

É melhor curar doenças que năo aparecem. Isto chama-se prevençăo. E uma atitude que pode ser aprendida e praticada através dos cuidados gerais. Săo com melhoramento genético higiene, correia alimentaçăo, temperatura, luminosidade, aeraçăo, equilíbrio psíquico, desinsetizaçăo, desisfestaçăo em geral.

Tudo isso dá mais resistęncia ŕs aves tornando-as mais capazes de enfrentar períodos difíceis como reproduçăo, troca de penas e períodos chuvosos e frios, muito comuns em nosso inverno.
É importante também anotar todas alteraçőes que ocorrem na temporada de criaçăo para compará-las com outros resultados quando outras medidas forem tomadas. Assim dá-se um sentido para a atividade, năo se operando no vazio.

Perda de voz.

Revista CPCCF Junho/2004
Arquivo Editado em 13/09/2005
Falaremos neste segmento um pouco sobre um tema que é de grande interesse entre as pessoas que apreciam aves canoras, pois tem um certo grau de incidência dentre as aves que conhecemos.
A perda de voz é decorrente da inflamação da estrutura que chamamos de seringe que é a dilatação da parte inferior da traquéia (leva o ar do bico até os pulmões). Seringe é o órgão fonador, que emite som (de onde vem o canto), das aves. Devido a alterações da parede da seringe temos a falha na voz da ave, podendo esta ficar com o canto falho e até mesmo perdê-la totalmente. Alterações que podem decorrer de várias causas e fatores, como:
- Desnutrição
- Processos infecciosos causados por bactérias, fungos, vírus, leveduras, etc.
- Parasitas como ácaros de traquéia, ácaros de sacos aéreos e vermes traqueais (que causam pevite).
- Traumas físicos
- Corpos estranhos como sementes inteiras ou quebradas, alimentos, sondas, secreções, objetos, etc.
- Neoplasias (câncer)
- Processos alérgicos
- Processos inflamatórios Dentre as causas de maior interesse no aspecto alimentar temos a deficiência de vitamina A, que é de grande importância no bom funcionamento do organismo. Atua de modo direto sobre a divisão celular e renovação de tecidos e órgãos e a sua falta provoca um espessamento da parede de revestimento, podendo acarretar na traquéia, o seu espessamento e a formação de placas de tecido morto, que podem levar a sérios problemas respiratórios provocando assim alteração na qualidade de canto das aves.
Os processos infecciosos podem levar a inflamação severa do sistema respiratório, podendo acarretar numa maior dificuldade de respiração da ave e conseqüente alteração da qualidade de canto da mesma. Nestes casos, se o processo inflamatório atingir a seringe, fatalmente teremos alteração na qualidade do canto.
Os processos inflamatórios podem ser causados por processos infecciosos como vimos anteriormente, mas também por processos irritativos como friagem (correntes de ventos; mudanças bruscas de temperatura, exemplo ar condicionado), esforço para cantar (forçar em demasia o canto em aves muito territorialistas); fornecer alimento ou água muito fria em dia muito quente, promovendo o choque térmico; fornecimento de alimentos de granulação que possam favorecer a irritação da região comum para a respiração e alimentação (região orofaríngea) provocando sua extensão para a traquéia e seringe; etc.
No caso dos ácaros e vermes traqueais temos as lesões ocasionadas pela ação direta dos mesmos na região e que podem facilitar o desenvolvimento de bactérias e fungos, levando a quadro respiratório de variados graus.
Traumas de traquéia com perda da conformação normal do mesmo podem levar a alterações de voz, pêlos danos e estreitamento dos anéis traqueais e por ação direta sobre região de seringe.
Corpos estranhos agem de modo direto, provocando lesão e alteração local, favorecendo mudanças do padrão da respiração e voz. Neoplasias (câncer) também têm ação semelhante aos corpos estranhos, apesar de serem extremamente raros.
Processos alérgicos podem levar ao aumento de secreção dentro da traquéia facilitando o aparecimento de outros problemas secundários, como infecções bacterianas, fúngicas, etc, afetando diretamente na qualidade da voz da ave.
Até agora nos atamos em causas de alteração de voz provocadas por alterações presentes dentro da traquéia e seringe, mas devemos nos lembrar de que o que promove a movimentação da seringe para efetuar a grande variação de notas dos cantos das aves são conjuntos de músculos, situados perifericamente a mesma. Logicamente temos que qualquer alteração na função da musculatura local provocará uma desafinação e conseqüentemente alteração da voz, podendo até mesmo deixá-la rouca ou mesmo sem voz. Friamente podemos dizer que alterações nestas duas estruturas da seringe (porção física e porção muscular) é que afetarão diretamente na qualidade de voz das aves.
Os sinais que antecedem a perda de voz podem ser iniciados de variadas formas:
- tosse
- espirros
- alteração no padrão de respiração como dificuldade de respiratória, sons alterados, estalidos, etc.
- secreções pelas narinas e bico.
- até atingir alterações fortes levando a perda parcial ou total de voz.
O diagnóstico é baseado em:
- Anamnese - que nada mais é do que o histórico do processo, pois podem revelar falhas de manejo que podem levar ao quadro do problema.
- Exame físico - é efetuado um exame minucioso da ave a fim de detectar alterações que possam acarretar no problema.
- Exames laboratoriais – como cultura de bactérias e fungos a fim de detectarmos qual o provável agente causador do problema caso for de fundo bacteriano ou fúngico, ou outro agente.
- Radiografia - nos auxilia nos casos de obstrução por corpos estranhos, traumas, câncer, etc.
- Endoscopia - em aves de portes mais avantajados onde se possam fazer este tipo de exame, como complemento, para um diagnóstico mais preciso.
Como vimos existem muitas possibilidades de doenças que afetam o sistema respiratório, levando a uma alteração no padrão de voz das aves.
Devemos ter como rotina efetuar o tratamento correio o mais breve possível para que o problema não se tome crônico e dificulte o processo de cura da ave. Quanto mais rápido for efetuado o diagnóstico e tratamento, maiores são as chances de total recuperação das aves. Como recomendação podemos alertar quanto
a evitar efetuar tratamentos empíricos ou caseiros, pois estaremos facilitando o desenvolvimento da doença e possivelmente dificultando o diagnóstico, quando esta ave é encaminhada para um Médico

Luiz Alberto Shimaoka
Médico Veterinário CRMV-SP 6003

Vídeo: Curió Venezuela.

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