segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Hibridismo & Mestiçagem

Hibridismo & Mestiçagem

Introdução
O hibridismo é o cruzamento de indivíduos de Gêneros diferentes, e o produto deste cruzamento recebe o nome de Híbrido. Quando os produtos destes cruzamentos apresentam comportamento reprodutivo semelhante aos das espécies que lhes deram origem e apresentam-se férteis, dizemos que são Mestiços.
A hibridação não se constitui um fato novo, nem mesmo uma descoberta de laboratório ou algo parecido, ela ocorre na natureza e se constitui um fenômeno espontâneo. A hibridação espontânea é provocada pelo desequilíbrio entre o número de indivíduos machos e fêmeas de determinado Gênero (escassez de um dos sexos) este fato tem levado ao surgimento de hibridações espontâneas como forma de preservação natural encontrada pelas espécies ameaçadas.
Temos observado na Mata Atlântica do Sul da Bahia o surgimento espontâneo provocado por desequilíbrio do meio ambiente de indivíduos Híbridos ou Mestiços dos Gêneros (Oryzoborus X Sporophila). Este surgimento é intenso em regiões em que a captura do Chorão macho (Sporophila leucoptera) mediante a prática predatória da "Pegada" provocou uma sensível redução dos machos desta espécie, levando as fêmeas em abundância a buscarem outras alternativas de reprodução, dentre elas, os Curiós (Oryzoborus angolensis) como forma de continuação do processo reprodutivo deste gênero.
A hibridação espontânea tem sido muito observada na natureza. Particularmente acho muito importante estas ocorrências do ponto de vista do surgimento de uma descendência com maiores condições de sobrevivência ao meio ambiente, que sofre mudanças constantes devido à ação do homem. Estas descendências, por serem mais resistentes, suportam melhor o meio ambiente que as geraram, podendo dar origem a uma nova espécie bem mais desenvolvida. Cada indivíduo envolvido na hibridação possui um conjunto de genes diferentes que são combinados em um novo ser, dando origem a uma nova genética diferente da de seus pais. Muitos embriões híbridos não se desenvolvem, aparentando falta de interatividade entre as combinações gênicas das espécies que os geraram, no entanto outros o fazem muito bem, inclusive superando as condições desfavoráveis, competindo mais tarde em condições de resistirem ao meio ambiente com as espécies que os geraram, principalmente por serem bem mais resistentes.
Os trabalhos de hibridação com o Curió tem sido muito pouco divulgados, acredito que por suas limitações, ou sejam: falta de compatibilidade genética entre os pares, quanto à possibilidade de acasalamento dos indivíduos de Gêneros diferentes; aceitação de um pelo outro, bem como os autos índices de mortalidade dos embriões durante a fase de desenvolvimento por incompatibilidade gênica dos pais. Apesar destas dificuldades, divulgaremos neste artigo as técnicas empregadas com sucesso na hibridação do Curió X Chorão (Oryzoborus angolensis X Sporophila leucoptera) e Curió X Caboclinho (Oryzoborus angolensis X Sporophila bouvreuil). Informo ainda ter conhecimento da prática de hibridações entre Curió X Coleiro-do-brejo (Oryzoborus angolensis X Sporophila collaris collaris).
Embora o IBAMA não recomende a prática das hibridações, e o faz alegando que os pássaros devem permanecer em domesticidade da mesma forma em que se encontram em vida silvestre, negando a estes extraordinários híbridos o competente registro, e ignorando a contribuição que os mesmos vem dando a genética das Criações Amadoristas, muito se tem feito no tocante à incorporação de genes portados pelos distintos gêneros envolvidos nas hibridações.
Pelo exposto, tenho praticado e recomendado à hibridação como forma de aprimoramento e construção genética do "Curió Doméstico", pois através desta prática podemos incorporar à genética do Curió genes capazes de dota-lo de características desejáveis e em percentuais de sangue adequados a externarem os ditos caracteres.
A hibridação, em última análise, nos permite dotar um determinado indivíduo de caracteres não possuídos originalmente por uma das espécies envolvidas nos cruzamentos, poupando-nos tempo e investimento em cruzamentos seletivos aonde se buscam a seleção dos indivíduos portadores de características desejáveis para através de cruzamentos dirigidos fixa-los à prole por hereditariedade. Vale ressaltar que muito se tem a aprender nesta área. A grande incidência de indivíduos não férteis ou temporariamente nestas condições se constitui uma grande limitação ao avanço das hibridações aqui referidas, contudo, esperamos conhecer melhor todos os aspectos envolvidos nas hibridações no sentido de minimizar as dificuldades hora existentes em relação à fertilidade dos F1 (Indivíduos portadores de ½ sangue de cada gênero, envolvido no cruzamento).
Método Para Prática do Hibridismo - Imprinting
É de fundamental importância o conhecimento dos mecanismos que imprimem nos pássaros as características de sua própria espécie. Eles precisam conhecer o seu padrão de comportamento e isto incluem aspectos instintivos e até mesmo, aspectos sociais aprendidos no convívio com os seus semelhantes.
É necessário que cada pássaro forme a sua própria identidade, mediante o aprendizado dos hábitos e costumes de sua espécie, para que se comporte como tal. Dentre estas características encontramos o canto como sendo uma das mais importantes, no entanto, não é o canto a única característica comportamental que irá definir determinado pássaro em relação ao padrão de sua espécie.
É que diversos pássaros vetorizam o canto de outras espécies e os adotam para o resto de sua vida, sem que a ela pertençam. É nesta capacidade de aprender o dialeto de outras espécies, bem como a aquisição de seus costumes, que a natureza em certos casos tem garantido a preservação das espécies. Contudo, é fundamental que determinado pássaro adquira os conhecimentos necessários a definir-se como sendo desta ou daquela espécie, e sabemos que o canto por se só não os define, portanto os pássaros devem adquirir um conjunto de conhecimentos capaz de formarem a sua identidade mediante o mecanismo conhecido como Imprinting, que nada mais é que a estampagem na mente destes comportamentos.
O Canto & a Côrte
Sabemos que no ritual de acasalamento o cortejamento da fêmea pelo macho é feito mediante o uso de elementos sonoros, o canto é aliado às exibições da plumagem e posturas em que o macho exibe a sua plumagem efetuando uma espécie de dança nupcial. Este comportamento sexual é especifico de cada espécie cujo grau de exigência da fêmea é tão maior quanto maior for à capacidade do macho em exibir os seus dotes pré-nupciais no qual é reconhecido e aceito pela fêmea. O sucesso da corte está intimamente ligado ao seu bom desempenho, quanto ao uso eficiente destes elementos, aonde o canto desempenha papel fundamental.
Imprinting & Cortejamento
No Hibridismo é indispensável que os dois gêneros distintos que se pretende a reprodução, sejam dotados de afinidades genéticas para que ocorra a fecundação do ovo, e mais, é fundamental que a côrte do macho seja aceita pela fêmea como sendo de seu próprio gênero, e isto envolve a aceitação do canto do macho pela fêmea no caso desprovida de reação sexual para aquele canto, que é de outro gênero.
É indispensável que ambas as espécies envolvidas em acasalamentos híbridos possuam o mesmo Imprinting, caso contrário à corte não será aceita pela fêmea de gênero diferente que, exigirá a corte de sua própria espécie e isto envolverá a troca do canto do macho pelo canto do gênero da fêmea ou a aceitação desta pelo canto do gênero do macho.
O plantel para hibridações deverá ser composto por dois ou mais gêneros distintos que se pretende reproduzir, sendo que estes gêneros deverão possuir o mesmo Imprinting, caso contrário, não ocorrerá a aceitação da corte entre eles, inviabilizando todo o processo de hibridação.
Gêneros Distintos Dotados do Mesmo Imprinting
Para a prática da hibridação, necessitamos produzir previamente indivíduos dotados de Imprinting distinto dos da sua espécie e iguais aos da espécie que queremos acasalar. Sem esta providência, não ocorrerá à aceitação da corte por parte da fêmea e conseqüentemente a cópula. Para a obtenção de indivíduos pertencentes a gêneros distintos, contudo, dotados do mesmo imprinting, procedemos da seguinte maneira:
1. Escolhemos de qual gênero será a matriz utilizada entre os gêneros envolvidos nos acasalamentos. Os critérios de escolha serão sempre levando em conta qual dos gêneros envolvidos nos acasalamentos possuem matrizes dotadas de extrema docilidade e dedicação com a prole e tenha como característica uma seletividade alimentar ampla e diversificada para que possamos garantir com maiores chances a cria da prole.
2. Definido o gênero da matriz a ser usado nos cruzamentos, exemplo: Fêmea de Chorão (Sporophila leucoptera), precisa que esta aceite a corte do Curió (Oryzoborus angolensis) que é de gênero diferente. Para que aja a aceitação da corte do Curió pela Fêmea de chorão é necessário que esta tenha adquirido previamente o Imprinting do Curio, sendo assim a corte terá a sua eficiência reconhecida e a cópula ocorrerá normalmente resultando deste cruzamento indivíduos dotados de 50% de sangue de cada Gênero distinto, logo, será um Híbrido.
Criação de Imprinting de Gênero Diferente.
Para obtenção de fêmeas de chorão ou qualquer outro gênero com Imprinting de Curió procedemos de duas maneiras distintas:
1. Colocamos os ovos do Chorão para serem incubados por fêmea de curió que crie com a presença do macho na mesma gaiola ou viveiro em plena harmonia. É necessário que os filhotes de chorão sejam tratados por ambos (macho e fêmea de Curió) para que se estabeleça na prole o Imprinting do gênero do Curió em ambos os sexos. Quando da apartação, os filhotes de Chorão já pialam de Curió e o surgimento do canto do Curió no filhote macho de Chorão ocorrerá tão logo se cumpra o "Período do Corrichar" principalmente se ocorrer Vetorização Dirigida do canto portado pelo Padreador Curió, que será usado mais tarde no acasalamento com a fêmea de Chorão. Estes cuidados aumentará o grau de eficiência do Cortejamento já que o Curió macho aceita Copular com qualquer fêmea de qualquer gênero desde que esta aceite a sua corte. Devemos durante todo o tempo em que manejamos os filhotes de Chorão dotados de imprinting de Curió evitar que tenham contato auditivo e visual com a sua espécie de origem genética sobre pena de corrermos o risco de perder todo o trabalho com o abandono do imprinting de Curió pelos filhotes que poderá faze-lo de imediato ou progressivamente com o decorrer do convívio.
Ao atingirem o amadurecimento sexual, as fêmeas de Chorão estarão aptas a serem cortejadas pelos Curiós, bem como o Chorão macho dotado de canto de Curió poderá com certa dificuldade ser aceito por fêmeas de Curiós jovens.
2. Após o nascimento dos filhotes de Chorão, encubados por mãe Chorona, transferimos os filhotes para "Amas" do Gênero Curió. Quanto mais sedo ocorrer esta transferência, maiores serão as chances de sucesso, em especial se utilizado como "Ama" um casal de Curiós. Não sendo possível, devemos manter próximo aos filhotes em regime de "Ama" um Curió vocalizando o dialeto do futuro Padreador. Todos os demais aspectos citados anteriormente se aplicam ao sistema com o uso de "Amas".

Todo o método aqui descrito se aplica aos mais variados Gêneros desde que possuam compatibilidades Genéticas entre os Gêneros a serem utilizados. Vale a pena ressaltar que da mesma forma que alguns Curiós trocam de dialeto (Cabeças Moles) algumas fêmeas por escassez do espécime macho de seu gênero trocam de imprinting espontaneamente. Para tanto, basta que não mais escutem o canto conhecido como sendo do seu Gênero. Informo ainda que um número significativo de fêmeas jovens do Gênero Sporophila quando mantidas em criadouros do Gênero Oryzoborus trocam espontaneamente de imprinting como forma de preservação da sua espécie, fato constatado também na natureza quando ocorre a escassez do macho.
Cruzamentos Com F1-Híbridos (1/2 Sangue)
Ao obter-se indivíduos dotados de ½ sangue de Gêneros distintos, teremos cumprindo a primeira etapa da hibridação. Em seguida, prosseguimos com os cruzamentos dos F1-1/2 sangue com fêmeas de Curió para incorporação de genes responsáveis pelos alguns dos aspectos desejáveis de um Gênero no outro. A incorporação do timbre vocal e andamento melódico do Chorão (Sporophila leucoptera) no canto do Curió (Oryzoborus angolensis), foi conseguido desta forma, mediante a incorporação dos percentuais de sangue ideais para estas fixações no genótipo do novo Curió. Salientamos que os indivíduos F2; F3 etc. são únicos, produzidos em ambiente doméstico e só diferem dos que lhes originaram na qualidade genética que possui, com aprimoramento dos aspectos mencionados e mantendo o mesmo Fenótipo do Curió como conhecemos.
Muito se tem ainda para estudar nesta direção, contudo a falta de estímulo provocado pela não regulamentação e registro no IBAMA dos espécimes resultantes de hibridações, vêm colocando a margem da legalidade todo um trabalho de suma importância. Necessário se faz que todos os criadores praticantes de hibridações em seus mais variados níveis efetuem registros detalhados de seus cruzamentos para que não se percam informações que, sem dúvida, num futuro bem próximo, serão de grande valia para o conhecimento Ornitológico.
Transcrevo trecho pertencente a E-mail enviado ao grupo de discussão ornitofilia@grupos.com.br pelo Ornitólogo Roberto São Manoel, onde de forma objetiva define a questão.
"Os cruzamentos domésticos de espécies diversas não interessam e não devem interessar ao IBAMA, posto que não é tratado em nenhuma lei, já que se tratam de espécies novas, que não fazem parte da fauna silvestre, não estão em rota migratória, não pertencem ao meio ambiente e não se caracterizam como Recursos Naturais".
Acho prematuro definir neste momento uma visão de futuro, contudo, se todos nós Ornitólogos brasileiros nos dispusermos a trabalhar, quem sabe seja este os novos caminhos que nos levará aos "Novos Tempos".

Agradecimentos ao Autor: Dr. Gilson Barbosa - BA
gilsonferreirabarbosa@hotmail.com
Fonte: http://www.cantoefibra.com.br/

FISIOLOGIA DAS AVES - O CANTO


FISIOLOGIA DAS AVES - O CANTO
Por que cantam as aves
Quando um pássaro abre o bico e lança o seu canto, ele não esta executando um ato voluntariamente artístico. Seu objetivo é outro : ele está de alguma forma se expressando ou manifestando um sentimento específico. E como cada uma das milhares de espécies canoras possui o seu linguajar próprio ao ornitólogo de ouvido experiente se torna fácil identificar a presença desta ou daquela espécie, mesmo que a ave esteja invisível no emaranhado vegetal. Aliás, nos cada vez mais sofisticados laboratórios de bioacústica, as gravações das vocalizações tem inclusive permitido aos estudiosos das aves a diferenciação de espécies gêmeas cujas plumagem e morfologia davam margem a classificações errôneas. E nesses mesmos centros de pesquisa, as vozes das aves estão sendo dessecadas, para melhor possibilitar a cmpreensão dos fenômenos da vocalização e da música instrumental.
Fisiologia do canto
Enquanto o homem e outros mamíferos possuem sonoridade a partir da laringe, a caixa de voz dos passeriformes se situa na siringe localizada na parte inferior da traquéia. Descobriram os técnicos em bioacústica que a capacidade daquele órgão se reflete na amplitude auditiva da ave. Cada espécie de ave canora reage melhor às freqüências  das quais se compõe sua própria vocalização, a qual abrange até oito oitavas. Segundo Crawford Greenewalt autor de Bird Song: Acoustics and Physiology, " os passaros não possuem ressonâncias propiciadas pelas cavidades humanas". Com isto, os estudiosos da fisiologia do canto dos pássaros chama a atenção para um fato importante. Enquanto nas aves a siringe é de certa forma o único aparelho formador do som, nos humanos, além da laringe, entra em jogo a complexidade do aparelho fonador que modula o timbre. Mesmo assim as aves conseguem realizar façanhas maravilhosas, inclusive emitir 45 notas por segundo. E, no tocante a duração do canto, certas aves conseguem a proeza de estende-lo por mais de sete minutos. Isto só é possível porque ela respira enquanto canta, ficando esta ação expressa no ritmo. Há no entanto pássaros que produzem música instrumental, ou seja, aquela que a siringe não é chamada a participar. A manifestação sonora é produzida pelo estalar dos bicos, pelo chocar de penas e mesmo nas vias respiratórias --- sem interferência da siringe --- através de almofadas de ar que certas aves apresentam no tórax. Nestes casos, a comunicação acústica prescinde a siringe e inexiste vocalização até mesmo nos atos de corte e sedução que precedem o acasalamento.
Todo pássaro canoro tem inscrito em seu código genético as instruções que lhe permitem emitir as vozes de chamada, manifestações sonoras básicas como gritos ou pios que as caracterizam. O canto e suas variantes são aprendidos com indivíduos adultos da mesma espécie, e certos pesquisadores chegam a afirmar que um pássaro jovem necessita de cerca de cem dias para dominar a vocalização característica de sua espécie. Deste modo fica claro que o estímulo social faz parte do processo de aprendizado. Sem estímulo os pássaros não aprendem os cantos. E, tanto isso é verdade que a falta de exemplos sonoros pode levar a deformações. Não são raras as aves que afastadas do convívio de seus pares acabam adquirindo o meio de expressão de outra espécie. Tal fato não deve ser confundido com a facilidade que certos pássaros tem de arremedar a expressão vocal alheia. É o caso, por exemplo, dos papagaios que chegam a imitar a voz humana. Para muitos ornitólogos  o fenômeno deve ser creditado a uma relação intima e constante. Na natureza o gaturamo-verdadeiro (Euphonia violacea) e capaz de imitar a voz de até dezesseis outras aves. No entanto, é preciso esclarecer que estas imitações se dão sempre ao nível da chamada, que a ave introduz dentro da linha de seu canto. Pois quando ela precisa lançar mão do grito de advertência diante de uma situação que lhe diz respeito, jamais utilizará a chamada de outra espécie, mas a que lhe é característica.
A manifestação sonora das aves são elementos de comunicação com membros de sua própria espécie, em momentos específicos de convívio social. Já esta provado que um grito de alarme solto por um pássaro não se destina a outros indivíduos de sua espécie, mas a ele próprio. Não há intenções de solidariedade social, de advertência para o grupo. No entanto, como a vocalização comporta em si mesma noção de perigo, e pode ser decodificada por outras aves, a presença do inimigo não é apenas detectada por indivíduos da mesma espécie, como por outros que com ela convive no mesmo habitat.
Embora ocorra uma tendência de padronização do canto, não raro dentro de uma mesma espécie, pode-se verificar dialetos em raças que se distanciaram geograficamente. Em alguns casos, os dialetos se afastaram tanto da manifestação do canto que uma ave não reconhecerá o canto de sua própria espécie gravado em outra população; reconhecerá somente chamadas, que por serem geneticamente herdadas, permanecem inalteradas.
O canto dos pássaros caracterizado pelo acúmulo de série de notas diferentes vem a ser uma manifestação típica de domínio territorial. Com ele a ave adverte suas semelhantes sobre limites de seu território e atrai a fêmea para função de perpetuação da espécie. N a época do acasalamento, alem dos machos, as fêmeas se põem a cantar em duetos de rara harmonia e complexidade. O canto parece ser uma resposta à química hormonal que se opera em seus organismos. Também na época da reprodução verificam-se os cantos da madrugada e do crepúsculo, inteiramente diferente dos padrões emitidos durante o restante do dia.
As aves canoras não se limitam a emitir suas vozes peculiares apenas na época de sua procriação. Os cantos mais ricos e variados em motivos  não estão presos aquele impulso vital, nem se prendem a nenhuma intenção comunicativa. Na verdade os cantos que nós mais apreciamos são os lançados pelas aves ainda jovens, durante o aprendizado, ou em indivíduos cujo desenvolvimento sexual declinou. A vocalização é então entoada em meia-voz e recebe a designação de canto secundário. Em nosso território, inúmeras aves  são as espécies canoras ,mas, para que todas elas continuem a cantar é preciso garantir a integridade de seus habitats.
Fonte : Revista geográfica universal
Nº 130 setembro de 1985
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CANTO DAS AVES
A habilidade canora dos pássaros é um dom dos machos usado principalmente para marcar território e atrair fêmeas. É estimulada pela luz solar, por sons contínuos - como água corrente, panela de pressão e chuva - e pelo cantar de outro macho desde que não seja visto, caso contrário o menos dominante se intimida e fica quieto. O macho posto com uma fêmea quase não canta: a conquista amorosa está feita e vale a lei do menor esforço. Na muda, o canto se vai - em geral em março ou abril - para voltar no final do inverno ou no início da primavera. Comparamos algumas características dos seis pássaros canoros brasileiros mais registrados segundo a Febraps, com as do mais popular dos canoros das lojas: o Canário-do-Reino (Canário Belga).
CUIDADOS
Um pássaro com saúde canta melhor.
Conheça aqui alguns cuidados básicos.
Alimentação: os seis pássaros canoros brasileiros mais registrados são granívoros. Dê alpiste e painço - podem ser incluídas aveia, colza, niger e linhaça.
Eles precisam também de proteínas, obtidas comendo insetos e larvas na natureza. A necessidade pode ser suprida com uma boa farinhada industrializada com cerca de 20% de proteína.
As mais nutritivas são oferecidas apenas uma ou duas vezes por semana (seguir instruções do fabricante).
Na muda e reprodução, épocas de maior desgaste, dá-se a farinhada diariamente.
Frutas e verduras (cuidado com os agrotóxicos) podem ser servidas uma vez por semana e, na muda e reprodução, dia sim, dia não - giló e almeirão costumam agradar.
Gaiola: manter em local arejado, sem correntes de ar, sem abafá-la permanentemente com panos ou plásticos. Forrar a bandeja com papel-toalha, trocado diariamente.
A grade inferior é importante para evitar o contato da ave com as fezes.
Deixe a ave tomar sol antes das 10 horas da manhã por 10 a 15 minutos e banho também. Terminado o banho, tire a banheira para não contaminar a água com dejetos. Por Vet.Claudia Kortwich, especializada em aves
PARA SABER MAIS
Criadouros comerciais de Canoros Brasileiros - Bicudo: Brasília: José C. Dianese, ;
Onir Jardim, (; Reinaldo Cantuária, ; Zózimo Guimarães, (. Bicudo, Canário-da-Terra e Curió: Ribeirão Preto: Aloisio Tostes, . Porto Alegre: José Avelino da Rocha, . Bicudo e Curió: Mogi das Cruzes: Brás da Silva (. São Paulo: Nelson Martins, ( 5. Bicudo, Caboclinho, Coleira e Pintassilgo: São Paulo: Geraldo Magela, . Canário-da-Terra: Belo Horizonte Helio Brandão, .
Canário-da-Terra e Curió: Belo Horizonte: Cláudio Marques, , e Washington dos Santos Jr., . Curió: Florianópolis: Jorge Heusi, . São Paulo: Isair Alves, ( Federação Brasileira de Criadores de Pássaros: (19) 422-2736, Piracicaba. Palestras gratuitas sobre pássaros canoros brasileiros: de fevereiro a julho. Serca: tel. (11) 6692-4512, São Paulo.
In Cães & Cia
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CANTO DAS AVES

Hoje, graças a Deus e ao trabalho de muitos  abnegados temos tido a oportunidade de conhecer, em  ambientes domésticos, inúmeros pássaros,  notadamente bicudos, canários-da-terra e curiós de  excelente qualidade de canto. De outro lado, na  natureza, não se vê e não se acha mais, exemplares  com essa característica. Os que lá estão, são, em  sua maioria, os de canto "comum", "grego" ou " trola". Fica a pergunta; como posso, então, fazer  para criar meus filhotes e ter a certeza que eles  terão um dialeto de canto que me satisfaça?
Não é difícil, basta ter método e organização, com  um pouco de paciência e obstinação pode-se  conseguir um pássaro de bom canto; como queremos.  Por oportuno, vamos citar também, revendo e  atualizando, trechos do capítulo de nosso livro  Criação de Curiós e Bicudos que diz respeito a esse  assunto. A melhor forma de ensinar um pássaro a  cantar é o método natural, ou seja, com o próprio  pai. Essa é a lei da natureza. O pai canta, o filho  ouve e aprende, para mais tarde assumir o seu lugar  e papel. Nenhum deles nasce sabendo cantar, tem  aprender com o pai e seus congêneres. Contudo, isto  nem sempre é possível em ambientes domésticos pelos  fatores descritos a seguir:
a) o pai canta feio ou tem defeito no canto;
b) a produção é em série e o pai só foi utilizado  para fecundar o ovo;
c) o filhote é separado do ambiente do pai; e
d) o ambiente do criadouro não favorece.

Recomenda-se, então, para aprimoramento do canto, o  aprendizado via escuta de disco ou fitas gravadas,  com pássaros de reconhecida qualidade de canto.  Todas as fitas de boa qualidade são editadas, por  isso, teoricamente, não se corre o risco de ensinar  defeitos ou vícios nos cantos. O ensinamento do  melhor canto é um processo que exige muitos  cuidados e paciência do criador e deve iniciar-se o  mais cedo possível. Lembrando-se que está provado  que devemos concentrar nossos esforços quando o pá ssaro estiver ainda no ninho. Outra fase importante  é quando ele começa a abrir o fogo para acasalar.  Esses momentos são aqueles em que ele está mais  propenso a aprender. Daí, devemos, se possível,  retirar a fêmea com o filhote no ninho de locais  onde ele possa escutar algum tipo de canto que não  queremos que aprenda. Nesse novo local só tocaremos  a gravação escolhida. Segundo estudiosos, se  analisarmos as aves no estado selvagem, veremos que  na época em que estão em bando dos 70 até 5/6 meses  de idade não estão propensas a aprender nenhum  canto. Estão em fase de muda, fora de seu habitat e  até refratárias aos cantos e ruídos diferentes que  estão escutando. Não podem aprender porque estariam  alterando o dialeto de seu ecossistema, aquela  frase musical que sua família ensinou ainda no  ninho, bem como sabemos que o pai também não canta  nessa época.. Tocando a gravação de forma excessiva  e em momentos impróprios, dificultaremos o  aprendizado. Isso, também, poderá inviabilizar  totalmente que ele aprenda o canto desejado, então,  todo cuidado deve ser tomado para não se causar  rejeição ao pássaro.
Não se deve ensinar o canto para mais de um filhote  de uma vez, notadamente depois que ele começa a  ensaiar o canto. Quando há uma bateria de mestre  muito grande pode-se, ao contrário, ensinar-se o  canto para vários filhotes ao mesmo tempo, porque  prevalecerá o dialeto da comunidade, o canto da  suposta família.
Muita gente está adotando o sistema de caixa acústica fechadas hermeticamente onde não se escuta o  som de fora, só aquele do canto escolhido. Este  procedimento tem dado resultados positivos.  Consiste num artefado de madeira com paredes duplas  e isopor no meio, dois orifícios na parte debaixo  para entrada de ar, dois orifícios na parte de cima  para saída do ar. Na parte da frente colocar um  vidro duplo transparente. Muito interessante, tamb ém para abrigar nesse local, a gaiola de qualquer  pássaro, inclusive de galadores de má qualidade de  canto. Como é muito difícil que tenhamos pássaros  mestres de canto perfeito e completo, o melhor é  que o aprendiz só escute o som do disco ou fita da  melhor gravaçào possível. Assim, a probabilidade do  aprendizado aumenta muito.
Todavia, nunca se tem a certeza se o pássaro irá  aprender o canto ministrado. Às vezes, aprende só  algumas partes. A título de informação, há ainda o  fator "código genético", influência da natureza que  produz espécimens responsáveis pelo dialeto de sua  família, e que nunca migrarão, só se forem forç ados. Esse tipo de pássaro tendo escutado algum  tipo de canto no ninho, nunca mais mudará uma nota  sequer, é bom lembrar sempre disso.
Alguns criadores reclamam que os pássaros criados  domesticamente tem apresentado uma voz deficiente e  pouco natural. Acusam a continuada reprodução como  culpada disso. O que não é verdade. Nós mesmos é  que estamos causando essa falha. O som caminha a  300 metros por segundo. Em um ambiente fechado,  notadamente onde haja acentuada reverberação por  causa das paredes, do teto e do piso, as notas  carregam sons umas das outras e ficam sibilando. O  filhote aprendiz não entende a frase musical e  começa a cantar musicado, com ressonância, com sons  ininteligíveis e tudo quanto é impropriedade. É  horrível, mesmo para nós, escutar um pássaro em  locais muito reverberados. O pior é que justamente  aqueles filhotes que aprenderam musicado seriam os  melhores, porque tiveram a inteligência de  representar aquilo que estavam ouvindo: um som  reverberado e de difícil comprensão. Na natureza  existe também os obstáculos para o som; árvores,  rios e relevo o que faz aparecerem pássaros com  canto metálico ou flauteado moderados. Qualquer pássaro, se for sadio, terá voz característica, pelo  menos aquela natural de sua espécie ou subespécie,  nem mais nem menos. Lógico que, quanto maior e mais  forte mais capacidade mais força terá a ave para  emitir o som. Não podemos, com certeza, dizer que  os pássaros criados com o passar do tempo estão  perdendo a voz. Estão aí centenas deles, campeões,  a provar que isso não é verdade. Depende,  especialmente, do cuidado que o criador tem com a  questão da reverberação. .
Outro item importante é a escolha do material  sonoro, o disco, de preferência CD, e a fita devem  ser de boa qualidade, sob pena de produzirmos pá ssaros de também irão emitir cantos com um timbre  artificial. Já vimos pássaros que reproduziam até o  ruído arrastado emitido pela fita K7. Muito  importante também é a qualidade dos materiais,  especialmente os alto-falantes. Devem reproduzir  sons médios e agudos. Bicudos, canários-da-terra e  curiós cantam na frequência de 1500 a 7.000 hertz,  o portamento, os harmônicos podem chegar até a 18. 000 hertz. Portanto, devemos utilizar alto-falantes  que abrangem essa faixa de frequência. Muito bom e  de baixo preço é o "tweeter" WRT-95 da Leson. Ele  reproduz de 1500 hertz a 20.000 hertz com muita  fidelidade que abrange as frequências para o canto  de curió; já para os bicudos é preciso alto  falantes que inicie a emissão de sons a 400 hertz.  Temos que ter o máximo cuidado com a escolha do  local do alto-falante estará por causa do reverbe.  Às vezes é melhor que estejam virados para o lado  de fora da casa.
Outro recurso tecnológico importante, embora ainda  não muito utilizado, é o "efeito stereo" . É  utilizar-se da propriedade da emissão de sons dos  dois canais separadamente. Enquanto o "left" canta  o "right" espera e vice-versa. Esse procedimento  permite que se utilize dois ou mais alto-falantes  no mesmo equipamento o "canta responde" , isto é  representar a natureza. O pai canta e o suposto  rival da comunidade responde. Só que a gravação  originalmente deve estar desse jeito. Uma boa forma  é colocar um alto-falante perto, nesse o mestre não  repetirá, só três cantos. Já no alto-falante que  estiver mais longe o mestre canta com 6 cantos. O  que o pássaro precisa aprender é o dialeto. Não  pode haver, pela lógica, nenhum problema que ele  escute dois ou mais pássaros ou gravações de pá ssaros diferentes que cantem de forma idêntica o  mesmo canto.
Pode-se fazer isso com conjuntos de som diferentes  mas ficaria muito mais dispendioso. Reproduza a  natureza, o pai canta, o tio responde acolá, e  outro parente responde lá longe e assim todos os  congêneres perfazendo todo o ambiente. Essa forma,  sem dúvida, é a melhor para ensinar o canto  escolhido com mais segurança de sucesso.
O mesmo método adotado para filhotes pode ser usado  pra se tentar ensinar ou retirar defeito no canto  de pássaros adultos, principalmente alguns tipos de  bicudos que por serem nômades mudam de dialeto com  facilidade.
A existência de gravações está sendo o principal  motivo do incremento das atividades dos criadores,  porque possibilitou a todos o ensinamento dos  melhores estilos, os cantos de campeões aos  filhotes produzidos, socializando e permitindo a  participação de todos que quiserem no processo.
Existem fitas que para tocá-las melhor utiliza-se o  auto-reverse, que retorna tocando o verso e o  anverso de forma continuada. Para o CD se deve usar  a mesma técnica através da tecla repeat. O CD  produz o melhor som e não se deteriora com  facilidade. O volume do som produzido terá que se o  mais próximo do natural possível e será como se  fosse um pássaro cantando. É indispensável também,  a utilização do temporizador timer, equipamento que  tem a propriedade de desligar o som periodicamente.  Tocar direto meia hora antes de clarear o dia até  meia hora depois e da mesma forma antes do  entardecer. Nos outros períodos diários o ideal  seria 15 minutos tocando por 2 horas desligado.  Existe no mercado timer com célula fotoelétrica que  só liga quando há claridade.
Atentar para afastar os ninhos de pardal perto do  criadouro, porque é muito comum os filhotes  aprenderem trinados característicos desses pá ssaros. Observar vizinhos que detenham outros pá ssaros, principalmente o canário do reino que muito  prejudica o aprendizado. Temos tido notícias, no  entanto, que muitos filhotes tem aprendido a cantar  o dialeto desejado em ambiente onde haja vários  tipos de pássaros diferentes. Por uma questão de  instinto ele selecionará e saberá distinguir qual é  o canto que deve aprender. É bom não arriscar,  todavia.
Como vimos, o pássaro de canto de qualidade tem que  ser tratado com cuidado especial, não se pode deix á-lo duetar/disputar canto à vontade. Isso só pode  ser feito se o outro tiver um canto igual ou muito  parecido. Quando tivermos um pássaro bom de canto é  salutar que se grave o respectivo canto e, através  de um bom material sonoro, se toque  sistematicamente o próprio canto para ajudar a  fixar o dialeto.
E a repetição, de que adianta todo o trabalho  exposto acima se o pássaro não é repetidor para  bicudo e curió e se canta comprido para o canário- da-terra. . Se não repetir ou cantar comprido não  vale a pena. Essa é outra questão muito complicada,  é genético o filhote já carrega fatores hereditá rios que irão possibilitar essa característica. Não  temos conhecimento, por enquanto, de nenhum estudo  científico que possa comprovar qual o melhor método  para se realizar a reprodução para obter-se pá ssaros repetidores. O que se sabe é que uma  determinada fêmea gera filhotes repetidores com  qualquer macho, ou vice-versa um determinado macho  gera filhotes repetidores com qualquer fêmea. Ou um  determinado casal gera filhotes com essa caracterí stica. Escolher um filhote de famílias de  repetidores já é um bom caminho. No caso do curió,  há criadores, como o Marcílio Picinini e muitos  outros que estão há 20 anos cruzando repetidores  com repetidores. Daí o caminho só pode ser adquirir  pássaros de criadores que tem esse tipo de  preocupação com seus reprodutores. Além de ser  proibido, não se deve nem falar em pássaros  silvestres, que além de não se saber a origem seria  de se fazer inúmeros testes para se ter consciência  que são de famílias de repetidores ou não. Seria  uma perda enorme de tempo e de recursos. Ainda bem,  esse fato tem ajudado bastante no desinteresse de  especimens capturados. Como dissemos a grande  verdade é que a busca do melhor canto tem  incrementado a atividade de reprodução de pássaros  de forma decisiva. Graças a essa particularidade,  se pode sentir o trabalho de uma legião de  aficionados objetivando produzir pássaros nacionais  no afã de obter êxito no aprendizado do melhor  canto em seus filhotes.

Escrito por Aloísio Pacini Tostes, em 2/9/2003

Vídeo: Canto do curió de Maceió ( Clássico ).

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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

UTILIDADE E UTILIZAÇÃO DA CONSANGUINIDADE NA CRIAÇÃO

UTILIDADE E UTILIZAÇÃO DA CONSANGUINIDADE NA CRIAÇÃO

        Parte I
        Muito elogiado por alguns que declaram ser esse método excelente se as linhagens são de boa qualidade, por vezes ele é execrado por outros experts. Os criadores foram por muito tempo geralmente hostis ao método da consangüinidade, muitas vezes com veemência, apesar de que muitas raças de animais foram desenvolvidas inteiramente desta forma.
        A consangüinidade é um método de reprodução no qual são associados reprodutores de uma mesma família, aparentados por graus mais ou menos próximos. Efetivamente, segundo uma codificação precisa, há tantos graus de parentesco de gerações em linha direta quanto em linha colateral, remontando ao mesmo ancestral.
        Assim, entre um pai e seu filho há um parentesco dito de 1º grau. Da mesma forma, o parentesco dito de 2º grau entre um avô e seu neto, mas também entre um irmão e sua irmã.
        O parentesco será de 4º grau entre primos-irmãos. A consangüinidade será, portanto decrescente na ordem seguinte: irmão x irmã, meio-irmão x irmã, sobrinho x tia.
        A partir daí, a consangüinidade colateral é utilizada freqüentemente com muito bons resultados, sob a condição de que os exemplares utilizados sejam "de elite". Ela permite realmente um alto grau de uniformidade no tipo e em algumas outras características.
        Através da consangüinidade, pode-se concentrar nos indivíduos reproduzidos os genes de um ancestral que já tenha sido utilizado muitas vezes naquela linhagem.
        A consangüinidade, também, tende a separar em famílias distintas, cada uma remontando a um determinado ancestral, do qual se tenha desejado fixar as características.
        Entre essas famílias é impossível praticar uma seleção familiar. A consangüinidade linear aumenta notavelmente a homozigose e o "poder raçador". Nós retornaremos posteriormente a estes dois pontos.
        As aplicações práticas da consangüinidade linear são interessantes para se considerar. É evidente que se um certo macho produziu, com fêmeas diferentes, filhotes de qualidade superior à de suas mães, não se deve hesitar em utilizar o poder raçador deste reprodutor e fixar suas características.
        Deve-se, portanto, aumentar a relação de parentesco entre seus descendentes e ele mesmo por utilização de consangüinidade em linha direta. Se o reprodutor tiver morrido, poderá ser utilizado indiretamente através de seus descendentes: nesse caso, sempre é importante aplicar rapidamente o método de consangüinidade em linha antes que a relação de parentesco entre os ditos descendentes daquele reprodutor torne-se mais baixa. Será mesmo conveniente recorrer à consangüinidade colateral entre primos-irmãos. Uma outra aplicação da consangüinidade linear é o estabelecimento de uma linhagem, problema que pode se apresentar a alguém que começar uma criação.
        Para estabelecer a linhagem, é necessário inicialmente adquirir exemplares de excelente qualidade, em perfeitas condições de saúde e plenamente de acordo com os padrões da raça.
        As fêmeas deverão ser acasaladas com um único macho, originando da mesma linhagem que elas, descendentes, portanto de um mesmo reprodutor.Esses cruzamentos permitirão a obtenção de filhotes dentre os quais se poderão selecionar os melhores.
        Nos casos em que esse procedimento não seja possível, poderíamos partir de uma única fêmea como base. Ela deverá ser acasalada inicialmente com um excelente macho de uma linha de sangue diferente e depois com outro macho igualmente bom, mas com algum grau de parentesco com aquele utilizado da primeira vez.
        Deveremos selecionar os melhores filhotes dessas duas ninhadas, que na temporada seguinte serão acasalados entre si e produzirão filhotes de qualidade homogênea, teoricamente muito boa.
        Se após algum tempo de utilização de consangüinidade em linha aparecerem sinais de que ela tornou-se muito estreita na linhagem (os sinais de alarme mais comuns são o aparecimento de indivíduos instáveis, doentes e também a diminuição da vitalidade reprodutora dos jovens exemplares produzidos), poderá ser necessário introduzir "sangue" novo. É o chamado "outbreeding". A melhor maneira de fazê-lo sem danificar o trabalho anteriormente desenvolvido será procurar um reprodutor com 50% de sangue diferente.
        Na prática, deveremos reintroduzir na linhagem um macho que seja filho de um reprodutor da linhagem desenvolvida por consangüinidade com uma fêmea de linhagem totalmente diferente. A consangüinidade que tende a aumentar o número de produtos homozigotos faz também aparecer todas as taras e todas as características defeituosas que por ventura existam na linhagem no estado recessivo.
        Assim, quando essas características aparecem deve-se proceder a uma seleção implacável e guardar para reprodução apenas os indivíduos que tenham produzido os filhotes mais saudáveis, melhor constituídos, os mais próximos do padrão.As possibilidades de se alcançar o progresso almejado são maiores quando se utilizam para a reprodução em consangüinidade exemplares escolhidos segundo a observação do genótipo de seus descendentes, pois só assim teremos certeza de que eles possuem os genes desejados.
        A porcentagem de indivíduos homozigotos aumenta dentro de uma determinada população com os acasalamentos consangüíneos (lei de Hardy) na mesma proporção em que aumentam as chances da transmissão de um determinado caractere dos genitores ancestrais, macha ou fêmea.
        Por uma estreita consangüinidade a probabilidade de obtenção de indivíduos heterozigotos diminui sensivelmente: eles tendem a desaparecer devido à utilização dos acasalamentos consangüíneos, pois só os indivíduos subsistem enquanto se aproxima mais a homogeneidade da população.
        É evidente que a consangüinidade estreita, mais ou menos incestuosa, como a indicada nos exemplos anteriormente citados é a chamada "in and in" dos anglo-saxões, consistindo em acasalamentos entre pai e filha, filho e mãe, irmão e irmã.
        O risco de aparecimento de taras recessivas é evidente o mesmo do surgimento das características desejadas, e é isso que justifica o aforismo de lush: "A consangüinidade não é crime, ela descobre o crime". As taras, os defeitos e as qualidades são condicionados por genes que, por vezes recessivos, aparecem graças a homozigose, já que estavam mascarados anteriormente pela heterozigose dos genitores ancestrais.
        Parte II
        Uma consangüinidade distante consiste no manejo de indivíduos pouco aparentados. O "inbreeding" ou cruzamento entre parentes é a aliança de dois indivíduos que estão separados por três a quatro degraus de parentesco. O "lenhe breeding" é aquele em que os exemplares acasalados estão separados por quatro ou cinco degraus de parentesco. Então, quando se fala de consangüinidade distante, significa que mais de cinco degraus de parentesco separam os reprodutores acasalados.
        Os resultados da consangüinidade são sempre rápidos, contrariamente aos obtidos por simples seleção. A rapidez é mesmo chocante quando se trata de cruzamentos de "inbreeding" repetidos.
        A utilização da consangüinidade gera controvérsias há muito tempo, e o problema é pouco esclarecido devido à parcialidade dos criadores e à inexatidão dos ensinamentos tirados de experimentos e ensaios práticos. A utilização prática da consangüinidade exige certas precauções, resultantes da estrita observação de regras bem codificadas pelo Dr. Roplet, que serão apresentadas nas linhas a seguir:
        - Regra um:
        A consangüinidade que tende a homozigose produz a pureza, mas somente para a qualidade considerada pelo criador. Isso quer dizer que se os caracteres que o criador deseja melhorar beneficiam-se efetivamente desse método, outros caracteres não considerados irão degenerar-se. Isso pode acontecer por negligência, por escolha ou por impossibilidade material (números de casais utilizados) de eliminar os pássaros recessivos para esses caracteres secundários.
        Portanto, deve-se absolutamente evitar o abandono provisório da melhoria de certos caracteres considerados como secundários e também a concentração de espécies de esforços unicamente na melhoria das qualidades primordiais, contando reverter posteriormente a situação, para então voltar a trabalhar aquilo que se tenha momentaneamente desconsiderado.
        Efetivamente, se uma determinada característica é negligenciada, os indivíduos criados não mais a portarão, por resultado da homozigose (lei de Hardy) e não será mais possível reintroduzi-la, exceto pela infusão de "sangue novo" que, invariavelmente, provocará a destruição de todo o trabalho já realizado.
        Há evidentemente necessidade de considerar-se numerosas características, uma vez que se ocupando unicamente de trabalhar as qualidades de tipo (melanina), podem ser pioradas outras características (forma, lipocromo, etc...).
        - Regra dois:
        Os efeitos nocivos da consangüinidade podem ser decorrentes da heterozigose, sempre devido a cruzamentos em "outbreeding" nas gerações anteriores. Paradoxalmente, a consangüinidade aumenta nesse caso a variabilidade e a freqüência do aparecimento de características indesejáveis, mas o grande erro seria voltar aos acasalamentos com outros indivíduos portadores de uma variabilidade de caracteres ainda maior. O único remédio consiste na continuação de uma consangüinidade estreita com seleção rigorosa dês recessivos e sua eliminação da reprodução. Na prática, a aplicação da consangüinidade em cruzamentos com linhagens estranhas (outbreeding) produz indivíduos com características indesejáveis. Portanto, a única solução é continuar a usar a consangüinidade. Pode-se concluir daí que a consangüinidade é muito mais vantajosa e benéfica em curto tempo se praticada com exemplares já relativamente aparentados ao invés de uma população com linhagens diversas. Podemos inferir que o criador terá o maior interesse em testar a descendência para evitar a heterozigose. O resultado será uma produção de grande homogeneidade, com alta porcentagem de indivíduos de boa qualidade. Esses indivíduos serão quase idênticos e formarão facilmente quartetos de muita harmonia.
        - Regra três:
        Não se deve jamais utilizar reprodutores inferiores ao ideal desejado pelo criador. A consangüinidade não traz bons resultados quando a freqüência genética de uma característica desejada é baixa. É claro que o criador busca fixar essa característica favorável. Ele deve, portanto, fazer acasalamentos entre famílias aparentadas, até que produzam um número suficiente de indivíduos excelente para, só então, começar a utilizar a consangüinidade planejada. O número de indivíduos excelentes deverá ser grande, porque sempre haverá muitos exemplares de fenótipo inferior para se eliminar. Durante as quatro ou cinco primeiras gerações, deve-se acompanhar cuidadosamente não a qualidade particular de um único indivíduo, mas sim a qualidade dos melhores exemplares, que serão os únicos utilizados como reprodutores.
        - Regra quatro:
        Não se deve nunca utilizar exemplares defeituosos (homozigotos recessivos para uma determinada característica indesejável), uma vez que o acasalamento de dois pássaros defeituosos produzirá com certeza apenas indivíduos defeituosos, e não se poderá jamais voltar à dominância heterozigoto sem "outbreeding". Por outro lado, a obtenção de uma característica dominante homozigota dispensa a seleção posterior de tal característica.
        - Regra cinco:
        É desejável que os criadores trabalhem em estreito acordo, em parderia mesmo, cada um selecionando linhagens diferentes mais de características igualmente boas. O desenvolvimento simultaneo de várias linhagens é efetiva garantia contra a involuntária mas inevitável perda de genes resultante da consangüinidade. Poder introduzir um macho ou fêmea de excelente qualidade nessas diferentes linhagens permitirá a superação de eventuais problemas, assim como evitará chegar-se a um impasse definitivo. Por outro lado, coisa muito comum na criação, a data de separação de diversas linhagens não é nunca muito antiga, e facilmente podemos perceber que muitos exemplares em nossas criações têm ancestrais comuns, provenientes de um criador líder na época da aquisição do plantel. Desta forma, se o criador não praticou continuadamente o "outbreeding", a impureza resultante dos acasalamentos de exemplares de diferentes linhagens não será jamais muito grande ou muito grave, assim como os cruzamentos com pássaros estranhos não produzirão perturbações muito importantes.
        Utiliza-se, portanto, a consangüinidade quando se deseja produzir exemplaresmuito próximos daqueles que admiramos. Desta forma, aumenta-se o coeficiente de parentesco que naturalmente seria reduzido à metade a cada geração, se não utilizarmos a consangüinidade. Além disso, a consangüinidade apresenta uma enorme vantagem que justamente vem sendo desconsiderada pelos criadores há muito tempo: ela ajuda na seleção de genes desfavoráveis, ao fazer aparecerem indivíduos portadores dessas características. Essa concentração de caracterìsticas indesejáveis em determinados indivíduos facilita a sua eliminação: basta retirar da reprodução esses exemplares. O ideal seria que um filhote de cada ninhada acumulasse todos os defeitos.
        A consangüinidade permite igualmente a formação de famílias distintas, oferecendo-nos assim a possibilidade de uma seleção mais severa que aquela feita entre indivíduos quaisquer, sobretudo quando consideramos as características de difícil transmissão. A consangüinidade permite, enfim, testar o valor hereditário de um macho "raçador".
        O teste da consangüinidade incestuosa serve como prova e constitui o teste mais rigoroso do valor hereditário de um macho. Esse é o maior mérito do método, permitir a criação de indivíduos fortemente homozigotos, qualificados como "raçadores".
        O poder raçador de um reprodutor á a capacidade de imprimir em seus descendentes características tais que os façam parecer-se com seus pais e entre si, mais que o normal.
        Parte III
        Em zootecnia, é comum designar-se pelo termo "heriditariedade unilateral" o fato de um produto parecer-se unicamente com um de seus pais. Apenas um dos seus ascendentes transmitiu as características visíveis. Tudo se passa como se esse ascendente agisse sozinho,como se o produto fosse fruto unicamente de seus genes, quase umclone. Um reprodutor que possua essa qualidade é evidentemente um excelente "raçador", possuindo a capacidade de transmitir suas características a toda sua descendência, sendo chamado por isso de um "marcador de linhagem". Em contrapartida, alguns exemplares que brilham nos concursos, apesar de belos, não passam de reprodutoresmediocres. A qualidade de "raçador", como bem define o Prof. Jean Blain, não é outra coisa senão a posse, por um reprodutor, de caracteres dominantes que se transmitem na primeira geração. É capacidade à qual se deve saber atribuir limitações e que a simples seleção não permite manter. Se a consangüinidade não for utilizada, não há qualquer razão, segundo o Prof. Blain, para que as características dominantes continuem a aparecer na totalidade dos sujeitos da segunda geração. Se as boas características de um raçador persistem após várias gerações pode-se dizer que os sujeitos portadores de caracteres recessivos não considerados foram eliminados.
        Como nós vimos, é melhor usar a consangüinidade estreita a partir de um bom reprodutor que a consangüinidade distante a partir de um reprodutor médio.
        Na prática, não existem reprodutores que transmitam apenas suas características, mas há reprodutores que possuem características que se impõem. Reportando-nos às leis de Mendel, o abecedário da criação, é fácil constatar que um reprodutor que possua caracteres dominantes em dose dupla (homozigose) os transmitirá obrigatoriamente à sua descendência, ao passo que um reprodutor que possua esses mesmos caracteres em dose simples (heterozigose) os transmitirá a apenas 50% de seus descendentes. Basta que o número de filhotes seja pequeno, para que o acaso faça com que nenhum deles se pareça com seu pai heterozigoto.
        De tudo que foi visto até aqui, podemos afirmar que as diversas causas do poder "raçador" de um indivíduo são:
        - a homozigose - se o reprodutor for homozigoto, ele produzirá apenas os genes que nós selecionamos. Portanto, o poder "raçador" é diretamente proporcional ao número de genes desejáveis para os quais o pássaro é homozigoto.
        - a dominância - um descendente que receba um gen dominante exteriorizará apenas o efeito desse gen. Portanto, ovalor reprodutor será máximo se todos os genes desejáveis forem dominantes, e em estado de homozigose.
        - a epistasia - fenômeno pelo qual um determinado caracter depende de uma combinação de vários genes que individualmente produziriam um efeito nulo ou defeituoso. Normalmente, essa combinação epistática tende a rarear a cada nova geração, e portanto a consangüinidade linear permite aumentar sua probabilidade de acontecer.

        O valor do poder "raçador" de um indivíduo é função dos acasalamentos praticados. Os defeitos são frequentemente devidos a genes recessivos, e um reprodutor "raçador" pode possuí-los em heterozigose. Em caso de acasalamento com um outro exemplar qualquer, aparentemente não defeituoso, mas igualmente heterozigoto para o defeito considerado, esse defeito poderá manifestar-se como em qualquer outro acasalamento entre pássarosheterozigotos. Enfim, o poder "raçador" é transmissível apenas naquelas características concernentes à dominância.
        A homozigose de um macho reprodutor não se repetirá em seus filhos, a não ser que as fêmeas com as quais for acasalado também sejam homozigotas para as características desejadas. Conclui-se que um alto grau de homozigose só pode ser obtido após numerosas gerações sucessivas, e pode ser facilmente destruído por um único cruzamento em "outbreeding".
        Vemos, portanto, que na criação deve-se buscar um equilíbrio entre as características procuradas e as indesejáveis. este equilíbrio depende da habilidade do criador e deseus conhecimentos, mas depende também do seu "capital inicial" e em particular da abundância de genes indesejáveis.
        Enfeim, o criador deve preservar esse equilíbrio reservando-se o direito de recorrer a outras linhagens consanguíneas, para corrigir eventuais problemas e para reintroduzir genes favoráveis perdidos em sua própria linhagem, devido a erros de manejo ou a situações imprevistas. É conveniente lembrar que fundar uma linhagem é praticar a consangüinidade "in" e "in". Perpetuar uma linhagem, fixar um novo caracter ou melhorar uma raça decorrem da prática de uma consangüinidade mais ou menos estreita, que não se deve hesitar em usar.
        O coeficiente de consanguiniedade a partir do qual começa o perigo é funçaõ do objetivo, da exatidão dos testes, da abundância dos genes indesejáveis, da porcentagem de eliminação possível, da velocidade de reprodução e das habilidades do criador. A consangüinidade ajuda na seleção contra os genes desfavoráveis ao fazê-los aparecer, e ao permitir a eliminação dos exemplares que os possuam.
        Se o número de genes recessivos é muito grande, aconsanguinidade revelar-se-á impossível e a seleção não poderá ser levada a seu termo, uma vez que não será possível alcançar o objetivo desejado. O criador de animais, qualquer que seja a espécie ou raça, deve convencer-se de que não há seleção possível ou válida sem consangüinidade, assim como não há consangüinidade benéfica sem seleção. A produção é uma arte sutil que exige competência e habilidade, paciência e dinamismo, e também um permanente questionamento. Finalmente, é de uma judiciosa utilização da seleção, da consangüinidade e do "outbreeding" que depende o desenvolvimento de cada raça de pássaros que criamos, fazendo-nos incansáveis pesquisadores/criadores, permitindo a nós, humanos que somos, reencontrarmo-nos e desenvolvermos calorosas relações de amizade.
Autor
Gilson Ferreira Barbosa
gilsonferreirabarbosa@hotmail.com
Tel - 73- 211 8233 613 4442
Rua da Espanha, n° 86.
Itabuna-BA. CEP- 45.605-130


Fonte: http://www.cantoefibra.com.br/

 

MELHORAMENTO GENETICO

MELHORAMENTO GENETICO

        Parte I - INTRODUÇÃO
        Muito pouco ou quase nada se tem escrito sobre Melhoramento Genético do Curió ou mesmo sobre Seleção Genética. Temos a impressão de que os Curiós estão imunes às Leis da Genética e que não podemos aplica-las para melhorar as suas qualidades. Se não dispomos de Curiós de excelentes qualidades em quantidades suficientes para atender a demanda do mercado, duas hipóteses me ocorrem: Não temos produção suficiente, ou temos, porém de qualidade duvidosa. Temos verificado entre os criadores o desejo obstinado de produzir ninhadas a qualquer custo, e isto é muito bom, porém precisamos aliar aos nossos desejos os Melhoramentos Genéticos necessários.
        FORMAÇÃO DO GENÓTIPO DO CRIADOURO
Todos os criadores de Curiós buscam a formação de um GENÓTIPO próprio para o seu Criadouro. O Genótipo é a sua "Marca Registrada". Para a formação desta "Marca Registrada" devem simplesmente adquirir pássaros portadores de herança genética de sua preferência como ponto de partida para a formação e desenvolvimento do seu criadouro que se encontra em formação. Pode-se ainda proceder ao aperfeiçoamento do genótipo adquirido como forma de tornar-se um criador representante daquela "Linhagem", no entanto, a aquisição de genótipos desenvolvidos por outros criadores como ponto de partida para a criação, tem sido cada vez mais freqüente entre os criadores por agregarem valor aos seus descendentes. O desejo de cada um é possuir pássaros com características próprias, portanto é indispensável que se faça uma escolha tecnicamente correta na hora de se adquirir um Curió.
        A definição dos caracteres desejáveis para iniciar o trabalho de adequação de suas preferências sobre o genótipo recém adquirido é de fundamental importância, pois, a maneira mais eficiente de se obter o melhoramento genético do Curió é através da prática dos Cruzamentos Dirigidos e Absorventes. Estes cruzamentos proporcionam a fixação na progênie dos caracteres desejáveis portados pelos padreadores envolvidos nos cruzamentos e baseiam-se no principio da "Hereditariedade" que consiste no fenômeno da continuidade biológica pelas quais as formas vivas se repetem nas gerações que se sucedem (progênie).
        Buscamos identificar (descobrir) entre os padreadores e matrizes que dispomos, as melhores combinações de Genes, (combinações gênicas) capazes de se manifestarem espontaneamente na progênie. Todo o trabalho é voltado à investigação e identificação da melhor composição genética que podemos dispor para a formação do Genótipo do nosso criadouro. Esta combinação deve atender aos nossos critérios de qualidade já que dispomos de um plantel (banco genético) e exercemos sobre ele um total controle, podendo conduzir de forma criteriosa os cruzamentos definindo quais genes irão compor a progênie de cada acasalamento. Sabemos que determinada progênie será parecida com seus pais mediante princípios de hereditariedade e que, os pais são do jeito que são porque também herdaram qualidades e defeitos dos seus, logo o processo de hereditariedade se renova a cada cruzamento e podemos interferir em busca da Composição Gênica que melhor se enquadre às nossas exigências, podemos planejar quais fatores genéticos comporão a progênie da próxima ninhada e que seguramente serão herdados dos Pais.
        Fica claro mediante o exposto que, a qualidade de uma progênie é determinada por sua herança genética que se manifestará no momento oportuno e, caberá ao criador selecionar os indivíduos mais representativos e portadores dos fatores genéticos desejáveis para constituírem ao longo do desenvolvimento da criação o seu plantel.
        A este conjunto de ações planejadas denominamos de Seleção Genética.
        SELEÇÃO GENÉTICA
        Depuração do Plantel
        Devemos no início da Estação de Cria escolher criteriosamente o genitor mediante análise do seu genótipo. Este Curió deverá representar o melhor que podemos conseguir em termo de "Pedigree" (conjunto de todos os seus ascendentes). Esta escolha criteriosa deverá garantir a correta combinação de gens que comporá o genótipo que se pretende produzir. O genitor escolhido deve ser o mais perfeito representante das qualidades que o credenciará a desempenhar a meritosa função de padrear todas as progênies da Estação de Cria; em outras palavras, será ele o pai de todas as gerações da Estação de Cria em questão.
        Todas as matrizes deverão ser testadas em busca da identificação daquelas cuja progênie exibirá as boas características latentes em seu genitor. Cada cruzamento deverá ser lançado em livro de Registro Genealógico do Criadouro contendo todos os dados do genótipo do padreador e da matriz envolvida em cada cruzamento. Efetua-se a resenha das características que se objetiva conseguir na progênie.
        Sabemos que não existem curiós geneticamente perfeitos, cada pássaro é composto por boas e más heranças genéticas, portanto selecionamos aqueles portadores das heranças genéticas desejáveis e eliminamos da criação os portadores das heranças indesejáveis, com tais comportamentos estaremos praticando a Seleção do Plantel.
        Após efetuarmos no final da estação de cria a seleção de todas as progênies, reservamos as (F-1) irmãos de ninho dos filhotes machos considerados portadores dos fatores desejáveis para cruzarmos no ano seguinte com o pai objetivando a fixação destes fatores. Tal prática nos assegurará após alguns anos a formação do Genótipo previamente planejado e geneticamente estabilizado, podendo ser produzido por várias gerações.
        CRUZAMENTOS PARA FORMAÇÃO DO GENÓTIPO DO CRIADOURO
        Seleção do Genitor
        Muito pouco ou quase nada se tem escrito sobre Melhoramento Genético do Curió ou mesmo sobre Seleção Genética. Temos a impressão de que os Curiós estão imunes às Leis da Genética e que não podemos aplica-las para melhorar as suas qualidades.
        Se não dispomos de Curiós de excelentes qualidades em quantidades suficientes para atender a demanda do mercado, duas hipóteses me ocorrem: Não temos produção suficiente, ou temos, porém de qualidade duvidosa.
        Temos verificado entre os criadores o desejo obstinado de produzir ninhadas a qualquer custo, e isto é muito bom, porém precisamos aliar aos nossos desejos os Melhoramentos Genéticos necessários.
        NO ANO SEGUINTE
        Efetuamos o Primeiro Cruzamento (F1)
        Ao cruzarmos o Curió "A" com a sua filha "B" ou simplesmente AxB cumpre-nos observar que a fêmea "B" por ser filha do Curió "A" com uma fêmea "C" já possui 50% de sua genética e 50% da genética da fêmea "C" que pretendemos eliminar de forma gradual a medida que prosseguimos com os cruzamentos, vejamos:
        CRUZAMENTO DE (AXC).
        (PRIMEIRO CRUZAMENTO)
        Ao cruzarmos o Curió "A" com a Fêmea "C" teremos o seguinte resultado para os 02 filhotes resultantes:
        (AxC) = 50% de A + 50% de C como 50% é a metade, podemos expressar a equação como sendo:
        (AxC) = ½ A + ½ C de onde podemos concluir que ½ A + ½ C é igual a A/2 + C/2 = (A+C)/2 logo:
        A formula Matemática representa cada um dos indivíduos resultante do Cruzamento de (AxC) e deve ser anotada no livro de Registro Genealógico do Criadouro para identificar cada filhote.
        Chamaremos estes filhotes de F1, e a fêmea filha deste cruzamento chamaremos de "B", logo concluímos que os dois filhotes oriundos deste cruzamento são representados pela formula que acabamos de desenvolver e possuem 50% do Genótipo do Curió "A" e 50% do Genótipo da fêmea "C" percentual este representado na formula pelo denominador 2 (metade). Observar o Esquema Gráfico Para Cruzamento do Curió em anexo.
        Cruzamento F1
        O Cruzamento do Curió "A" com a sua filha "B" ou simplesmente: (AxF1) compreende os seguintes percentuais no         Genótipo resultante.
        Podemos representar o cruzamento de (AxF1) mediante o Desenvolvimento da formula matemática da seguinte forma:

        Pelo demonstrado podemos concluir que:

        LOGO CONCLUI - SE QUE:
        CONCLUSÃO
        A formula Matemática representa cada um dos indivíduos resultante do Cruzamento de (AXB) e deve ser anotada no livro de Registro Genealógico do Criadouro para identificar cada filhote. Chamaremos os filhotes resultantes deste cruzamento de F2 e a fêmea resultante deste cruzamento de "B2", logo concluímos que os dois filhotes oriundos deste cruzamento são representados pela formula que acabamos de desenvolver e possuem 75 % do Genótipo de "A" e 25 % do Genótipo de "C" logo percebemos que a cada cruzamento a progênie adquire cada vez mais o Genótipo do Genitor "A" objetivo principal do Criadouro enquanto decresce o percentual do Genótipo da Matriz "C" que originou os indivíduos F1 e F2.
        CRUZAMENTO - F2
        O Cruzamento do Curió "A" com a sua filha "B2" ou simplesmente: (AxF2) compreende os seguintes percentuais no Genótipo resultante.
        Pelo demonstrado podemos concluir que:

        LOGO CONCLUI - SE QUE:
        CONCLUSÃO
        A formula Matemática representa cada um dos indivíduos resultante do Cruzamento de (AXB2) e deve ser anotada no livro de Registro Genealógico do Criadouro para identificar cada filhote. Chamaremos os filhotes resultantes deste cruzamento de F3 e a fêmea resultante deste cruzamento de "B3", logo concluímos que os dois filhotes oriundos deste cruzamento são representados pela formula que acabamos de desenvolver e possuem 87,5 % do Genótipo de "A" e 12,5 % do Genótipo de "C" logo percebemos que a cada cruzamento a progênie adquire cada vez mais o Genótipo do Genitor "A" enquanto decresce o percentual do Genótipo da Matriz "C" que originou os indivíduos F1, F2 , F3... F5. Continuamos os cruzamentos até a obtenção dos F5 quando atingiremos O Cruzamento Absorvente. Veja O Esquema gráfico anexo.

        Representação Gráfica dos Cruzamentos
        Podemos visualizar na curva do gráfico cartesiano a representação gráfica dos cruzamentos do Curió "A" com as matrizes "C", F1, F2, F3... F5. Podemos numa simples análise do gráfico verificar que à medida que os cruzamentos se sucedem incorporamos as diversas progênies à genética do Curió "A" sendo que estas tendem a adquirir 100% do seu Genótipo, fato este enfatizado pela curva assíntota a linha representativa dos 100%. Podemos ainda afirmar que por mais que se sucedam os cruzamentos jamais atingiremos os 100%.
        FIXAÇÃO DO GENÓTIPO DO CURIÓ "A"
        OBS:
        Estes cruzamentos deverão ser efetuados em todas as fêmeas cujos irmãos de ninho apresentem os caracteres desejáveis portados pelo Curió "A". A cada cruzamento procede-se novas seleções para determinação das fêmeas a serem cruzadas para obter-se a fixação do Genótipo do Curió "A".
Podemos visualizar na curva do gráfico cartesiano a representação gráfica dos cruzamentos do Curió "A" com as matrizes "C", F1, F2, F3... F5. Podemos numa simples análise do gráfico verificar que à medida que os cruzamentos se sucedem diluímos nas diversas progênies à genética da Matriz "C" sendo que estas tendem a perder o seu Genótipo, fato este enfatizado pela curva assíntota a linha representativa a 0 % que se confunde com o eixo horizontal do gráfico. Podemos ainda afirmar que por mais que se sucedam os cruzamentos jamais atingiremos os 0%.
        DILUIÇÃO DO GENÓTIPO DA MATRIZ "C"
        OBS:
        Estes cruzamentos deverão ser efetuados em todas as fêmeas cujos irmãos de ninho apresentem os caracteres desejáveis portados pelo Curió "A". A cada cruzamento procede-se novas seleções para determinação das fêmeas a serem cruzadas para obter-se a fixação do Genótipo do Curió "A".
        Estes cruzamentos aqui demonstrados promovem a depuração do plantel em função do Genótipo do "Genitor" definido como Curió "A" e demonstra um direcionamento de cruzamentos consangüíneos com o objetivo de criar e fixar o "Genótipo do Criadouro". Devemos proceder paralelamente o cruzamento dos melhores filhotes machos com as matrizes que lhes deram origem como regra básica para produção de filhotes portadores do "Genótipo Padrão do Criadouro".
        Este Artigo tem por finalidade demonstrar e sugerir aos criadores iniciantes um direcionamento genético dos cruzamentos, objetivamos a criação de um Genótipo para o seu criadouro, e mais, evitar os cruzamentos a ermo sem o menor planejamento do que se pretende obter. Reproduzir o Curió em vida doméstica é sem dúvida um ato elogiável, no entanto corremos o risco de nos transformarmos em meros "Multiplicadores" se não dermos um direcionamento genético com a prática da reprodução para MULTIPLICAR COM QUALIDADE.

Autor
Gilson Ferreira Barbosa
gilsonferreirabarbosa@hotmail.com
Tel - 73- 211 8233 613 4442
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Fonte: http://www.cantoefibra.com.br/